Os Objetivos da Terapia em um Mundo Adoecido pelo Capitalismo
- Instituto Emancipar

- 16 de dez. de 2024
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O mundo em que vivemos está cada vez mais ansiogênico. A lógica capitalista, centrada na produtividade e na competitividade, impõe padrões inatingíveis e nos distancia de necessidades essenciais, como o descanso e o lazer. Isso tem consequências diretas para a saúde mental, agravando quadros de ansiedade, depressão e outras formas de sofrimento psíquico. Nesse cenário, a terapia psicológica se apresenta como uma das formas de autocuidado e enfrentamento, ainda que não seja uma solução mágica para todos os desafios.
A terapia é um espaço que permite compreender a si mesmo em meio às exigências do cotidiano. Ela auxilia no enfrentamento de dores emocionais, ajudando a ressignificar experiências e a construir estratégias de enfrentamento. Como afirma Carl Rogers, “o curioso paradoxo é que, quando me aceito como sou, então posso mudar” (Rogers, 1997). No entanto, é importante destacar que o processo terapêutico não deve ser romantizado. Ele exige comprometimento, e seus resultados dependem tanto das condições pessoais quanto de fatores externos, como acesso a recursos e suporte social.

O capitalismo intensifica o adoecimento emocional ao criar uma cultura de auto exploração, onde o valor individual é medido pelo que se produz e acumula. Byung-Chul Han, ao analisar as dinâmicas contemporâneas, aponta que vivemos em uma “sociedade do cansaço”, marcada pela exaustão e pela culpa frente à inatividade (Han, 2015). Essa realidade nos afasta do descanso e da conexão autêntica, elementos indispensáveis para a saúde mental.
Nesse contexto, a terapia se apresenta como um espaço de resistência. Ela não apenas auxilia na identificação e no manejo de emoções, mas também na construção de uma narrativa que permita à pessoa viver de maneira mais alinhada aos seus valores. Contudo, como ressalta a autora Bell Hooks, o cuidado consigo mesmo é também um ato político e de resistência em um sistema que constantemente desvaloriza nossa humanidade: “o cuidado com o eu não é egoísmo, mas uma forma de resistência em um mundo que tenta nos destruir” (Hooks, 2019).
Por mais importante que a terapia seja, ela não é suficiente para resolver as questões estruturais que agravam o sofrimento psíquico. A saúde mental requer mudanças coletivas e políticas que garantam condições dignas de vida, como acesso à educação, lazer e segurança. A terapia, portanto, é um passo no caminho do autocuidado, mas precisa ser complementada por esforços mais amplos.
Em resumo, a terapia é um processo contínuo de autoconhecimento e fortalecimento, que oferece ferramentas para lidar com os desafios de um mundo adoecido. Não é um “remédio” universal, mas uma oportunidade de acolhimento e reflexão em um contexto que nos desumaniza. Buscar ajuda não é fraqueza, mas um ato de coragem e resistência frente às pressões de um sistema que frequentemente nos adoece.
Referências
HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. 1ª ed. Petrópolis: Vozes, 2015.HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. 1ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019.ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. 1ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.




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